quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O BURACO DE OTÍLIA

Buraco de Otília é o nome de um restaurante famoso de Recife, plantado bucolicamente na Rua da Aurora, com suas paredes azuis (pelo menos antigamente era) olhando o tempo todo para o Capibaribe a sua frente. No meu tempo de estudante, bem antes de começar o chambrego com a Viviane aqui no Pau Pombo, aqui em Garanhuns, eu comi algumas vezes nesse local e ainda lembro que tinha sarapatel, pirão, feijoada, galinha de capoeira, galinha ao molho pardo uma porção de comidas gostosas de nossa culinária regional.
Um dia eu ainda ei de voltar lá, com a Vivi, depois de tomar um banho de mar em Boa Viagem, nem que tenha de enfrentar a sanha dos tubarões que vez por outra dão umas dentadas por lá.

Minha namorada, um tempo desses, cansada de fofocar no salão de beleza do bairro São José, imaginou que um dia poderia botar um restaurante popular aqui em Garanhuns, oferecendo ao freguês aquelas coisas gostosas feitas pra mim quando não está com raiva à toa ou mordida dos cachorros por causa da TPM.

Como sempre fui liberal e torço pelo sucesso da minha mulher e de todas as mulheres, dei o maior apoio a ideia e até sugeri o nome do restaurante administrado pela minha deusa: "Buraco da Viviane".

Meu Deus porque fui propor esse nome? Viviane ficou vermelha que só o Brizola quando enfrentava a família Marinho nas guerras políticas do Rio de Janeiro. Ela inchou, cresceu pra cima de mim e parecia disposta mesmo a me agredir fisicamente.

"Você quer ser corno ou prefere a alcunha de filho da puta como qualquer juiz de futebol que se preze", perguntou, mais zangada do que o Rafinha Bastos quando diz as suas merdas na televisão.

"Tá pensando que eu sou quenga, quer o povo todo tirando onda de mim e me confundindo com as lacraias da finada Maria Gorda"?, insistiu o amor da minha vida cada vez mais braba. Parecia uma vaca braba, com o perdão do trocadilho. Ou seria um touro.

Com a cara lisa, ainda tentei remendar a situação: "Mas Vivi, não tem o Buraco de Otília em Recife, um restaurante chique, cheio de fotos de autoridades e artistas que já visitaram o local? Já pensou aqui em Garanhuns, no seu restaurante, a presença do Sirvino, do Izaías Régua, do Bartolomeu Quichute, de Luiz Carlos do Jardim das Oliveiras, do Zé do Candieiro e até do Mané Dourado, lá de Lajedo? Além de artistas como Andrea Amorim e Dominguinhos, Segundas e Terças"?

Ela ignorou minha bestagem e tascou essa nas minhas oiças: "Meu buraco, seu Raulzito filho de uma arrombada, é só um e não é público. Não serve para nome de restaurante, de boate, açougue ou casa de saúde. Vê se te manca e cria juízo porque senão o nosso amor vai acabar agora que não vou mais servir para escora de otário".

Dito isso fechou a cara e ficou intrigada de eu. Avisou, ainda por cima, que durante muito tempo não teria mais buraco nenhum na minha vida. Se quisesse um fosse pra Recife, atrás da tal Otília. Ou procurasse me contentar com o buracão da Liberdade.

Derrotado, infeliz, fui embora pra o exílio. Estou escondido em Caetés, sob a proteção de Zé do Candieiro, que nunca vai ter a oportunidade de experimentar a comida do restaurante Buraco da Viviane. Sim, porque este estabelecimento nunca será estabelecido.

Um comentário:

  1. Duas coisas, o Buraco de otília não existe mais (ha muito tempo)após a morte de otília o lugar perdeu o encanto como toda a rua da aurora, segundo essa maria gorda era aquela que tinha um cabaré próximo a feira, morreu quando?

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